Gigante

 

 

Se me pedissem um nome, qual seria a mais vigorosa origem.

Em qual fonte teriam motivo?

Mais perto de mim, se tua feição é pura esperança:

Te chamaria de … Cabo verde?

Um gigante em miniatura de dês ilhas

Tu mais forte que o resto do mundo.

 

A admiração das ilhas, quando as tuas mãos

Tem sinais de simplicidade

Uma trindade santificada, sem mística

 

O caso é exactamente isso,

O segredo de seres a gigante, que ninguém vê

Porque tu és a mais imensa do que os limites dos teus sonhos

Que cabe dentro de te

O que cabe dentro de te? Um gesto de aleluia ou amem?

 

Costas marítimas têm batons negros.

Sim, as costas, de quadris almofadam prensas e cansados.

Mais do que o tempo na tua memória

 

Carregam o mundo nos detalhes das ondas, tu o teu ser.

Certeza, a melodia e som do teu passo,

Seu corpo sempre a frente dos teus olhos

A tua única certeza, as dês ilhas e o teu corpo, de circules curvas.

 

Te chamaria mulher, te chamaria a chama fria dos teus olhos, profundos,

Te chamaria, o meu país, te chamaria gigante que rende poemas.

Te chamaria sempre o teu nome:

Mulher.

Ser estranho

 

O ser estranho, que me chama

Não tem voz, não tem altura

No tempo de guerra e paz ela esta lá

Sem a cara.

 

Beijo doce e seco, menti e finge

Até os seus mandamentos transfigurarem

Em sua cara e corpo humanamente fraco

Em carne, desejo e fogo brando e tosco.

 

Dizendo

-O ser estranho, sou eu

O amor,

Revela-se de sorriso na cara e na despedida a desgraça.

 

Diga-me que não quer vitimizar?

 

Vem

 

 

Dá me a tua mão, o escuro é um negridão profundo e enorme.

Vem a mim, das elegias de Rilk, quero que fique.

 

E o meu pedido rasgado por temporal

Vem, vem a mim, leio-te em lusíadas e Camões em salvação e vendaval.

 

Mesmo antes das questões que aborrecem. A pureza de ti onde se medi?

Vem a mim, não te amo senão porque te amo, tu a cura e dialecto Nerruda.

 

Vem, vem a mim, que o fim é a oportunidade e o começo,

E depois de fim onde morará o recomeço?

 

Mário loff

 

 

Filó não me deixe só

 

A dor que ainda difunde em ti

É a mesma dor que transparece na cara da graciosa

Sendo tu a mais gloriosa, alma endurecida, profundamente evencida.

Meio animal, fenómeno natural, refreada feita beleza exacta.

Gigante, elegante, rimas da casualidade, duro feito monte

Ventos tristes enfurecidos murmurando tremudo feitio doente

Olhos formosos destruídos de desejos, que fustiga sem matar.

 

É música, tesa sempre em defesa, carente

O corpo, seu, que nega a terra, o homem carente

Tentação profunda, o que muda que se espera

Seu corpo torto imperfeito sem defeito

Que ama, profundamente derrete coração, esperança sempre crente

Teu corpo é música é religião de um entusiasta

Em ti, sempre crente

 

Passa os dias, tu nua dentro das tuas vestes

Sempre joia em mim, rainha dos meus crânios

Dizei-me: porquê este castigo? Porque ainda o sangue

Que jorra nos meus olhos sendo palavras sempre é filó

Que cai e embala a minha cabeça em cima de ti

Cabendo em um só pensamento

Em um só nome filó

Não mi deixe só

 

 

 Mario loff

 

 

Negra mais linda do mundo

 

 

Tinha que acontecer?

O que sempre acontece

Ainda bem que aconteceu!

O que se quer, que sempre sem querer acontece

O amor, a paixão, uma nova vida…

Vem contra quem quer e contra quem nunca quer

 

O amor aquece

O amor me aquece quando te vejo, quando te abraço

Quando os teus lábios são carne que alimenta a alma

Quando o canto dos teus olhos é rio que basta a minha sede

É isso que acontece, é isso que aconteceu

Se quiseres é isso acontecerá

 

Negra de um continente fêmea

 

Hoje um vento louco e apaixonado

Que passou me disse

-Começaste bem, ela é linda

Mais linda ainda é as curvas

Que se confunde com a curva de algum quitara louco

Que quer cantar uma música de nome “ tinha que ser com a negra mais linda do mundo”

Uma única oportunidade

Uma única imagem de mulher e moça

Uma mulher que carrega peso de mil mulheres

Num olhar que enfeitiça e fisga corações, feito o meu

E uma beleza que não acaba mais

Por isso não vou esperar que o ano e o mundo acabem para te dizer

Eu sou teu, seja meu eu, sejamos nós

Minha negra, minha bela, minha fonte de saudade

Nos meus olhos tua imagem criou em mim o primeiro olhar

Seguia teu passo palpitante e devagar

Quando dei por mim, já não estava em mim

Tu encheste o meu pobre coração que chora feito mar

Na tua ausência, fica sempre a saudade de ter saudade

Porque estas em mim

Que esse amor seja uma ciência.

Para a negra mais linda do mundo

 

 Mario Loff

 

 

 

 

 

 

As marés da minha alma estão

Aborrecidas com os meus demónios

Este ultima com os meus segredos que ainda

Tento lembrar o que eram.

A água derretida é esgotamento de poesia

Poesia derretida

É água gelada de palavras amontoadas

Água escorregadia

São mensagens levadas ao colo do vento

Palavras derretidas, são palavras perdidas desamontoadas

São códigos em busca de regra

Poesias delapidadas são palavras perdidas e águas ressequidas

Aguas ressequidas, serão sempre poesias perdidas.

 

Mario loff

Eu, Xeque Mangue

 

 

Como é a vida, 
Como a vida nos faz vestir pele urdido
De materiais podres e o produto é a imagem que se quer
Que acreditam que se quer
Como eu

Eu que sou tão alto de boas maneiras 
Eu que sou baixo, e recuso ser anão
Eu que tenho dado mãos em forma de comprimento
E entendem que sou palhaço e quando mais insisto 
Mais palhaço sou

Tenho feito juros, me sobram acusações de ser aliado financeiro
Me assinam e me acusam todos os dias 
De ser xeque para todos os usos baratos
Tenho intimidade com Dinheiro
Mas de finanças só amigos, impostos pagos, em notas, e alguns trocos,  
Que me lembro 
Que por dinheiro sou capaz de ter pudor financeira
Como dói o bolso do meu povo, duas mãos a pedir, é a dor


Neste subúrbio, quando tomo a decisão de Ficar calado 
Sou incómodo, e desperto atenção do povo 
Sinto que a falta não é de mim é de um bobo, e de um palhaço
Mais que um palhaço, uma imagem de homem que não abdica na hora
Que a batalha é guerra e a guerra chama-se honra 
Consumo todas as derrotas nas guerras, e festejo todas as batalhas,
A desistência dos meus émulos vem por insistência minha, ai sinto que tenho em mim
Uma perseguição mas longa que a própria memoria,

Eu que observo neles todos o porquê do meu tamanho, quando a palavra é respeito
Por falta de palhaços 
Sendo eu da cabeça aos pés por mais esforço que faço 
Saio em três dimensões 
Clareio meio homem, 
Entardeço meio matéria para o riso 
Anoiteço como guarda da praça

Eu que ando pelos bancos 
Em busca de abonos e sou sempre sem préstimos
Eu que mesmo sem querer, guardo os bancos 
Quanto mais o tempo passa ganho idade como se IVA fosse
Matéria para velhice

Me tem acusado de ser chato sem saber 
Que de amor, entendo, a oportunidade é escassa como 
As mulheres que tanto aguardo para ser dona deste meu 
Triste coração, que clama aconchego de um abraço feminino 
Mesmo velha como a felicidade e o amor, 
Basta que saiba a dimensão da grande urgência 
Mais necessitado que a própria carência.

Eu que tenho declamado, trechos de telenovela 
Na praça, ruas, igrejas e dentro de mim 
Que tenho rezado a luz da vela
Orações de insistência que perdeu no caminho de casa e mesmo assim aceito
Aceito esta fé caduca como eu

Tenho sido criança, mesmo assim têm me negado 
Como se incapaz fosse a raça de nome xeque neste povoado de nome para fruta
Mesmo sendo raça, assim como eu, seria virtude,
Seria humanamente a humanidade
Eu, xeque, em tudo que eu faço que penso, já não vejo o meu destino 
Nos ventos ou nos ares que algum deus me envia 
O meu destino eu mesmo que idealizo 
Enquanto sou xeque de mangue
Sairá sempre de dentro de mim.

 

 Mario Loff

E Hoje Lambosca

 

 

Hoje o sol nasceu, o dia clareou,

O sol já despertou no horizonte, o sol

Ainda é estrela, que não nasce para muitos como eu

Que vive tagarelando com a pobreza

Que quando fala é sinonimo de bacandeza

Sem ter feitio de bureza

Tenho varapaus mas me faltam anzois para pescar 
Os peixes são bastante desmedidos para mim
Por mais coragem que tem um espírito, pior será a pobreza da alma
Mas a minha é da matéria

E hoje Lambosca

Já não sou criança
 que quando criança fazia humor 
Os rapazes riam na praça
Quando jovem, sujava as palavras, numa inteligência imbecil
E não entendia a vida, a vida tem códigos mudos
Talvez me tornei assim, não limpei as palavras
Ganhei a Duda para vida uma futura

E Hoje Lambosca

Esse hoje já tem muitos anos

Velho, empurrando a desgraça

Agora velho, sei limpar as palavras que ficou sem graça

Ainda sou Lambosca
E hoje Lambosca 

Qual é o risco que se corre quando não se morre de uma só vez
Eu sou Lambosca

O homem mas rico do mundo, que lambuza na pobreza
Tenho mais apertos de mão, do que dinheiro em mãos
Tenho declamado teorias da pobreza que nenhum mendigo viveu
Tenho sido poeta mais tosco da minha cidade, mas ninguém liga, ninguém entende

E no fim sempre pergunto
E hoje Lambosca,

Tenho casa, tinha esposa, tenho vida, sempre vidinha 
Que finjo estar a viver, 
Enquanto o mundo anda as pressas eu troco de passos
A minha velocidade de viver abrandou, se isto é vida, estou fodido

E hoje Lambosca

Ninguém me visita, falam comigo mas não me ligam
Debocham de mim, e eu gosto, da primeira vez eu aceitei

E hoje Lambosca 
Sou Lambosca 
Tenho casa, tinha Duda, tinha tudo
Aquela casa deixou de ser tesouro, Duda me deixou
A minha vida ficou antiga 
A Duda me deixou, o amor me abandonou, 

Agora onde esta a Duda 
Meu filho me deixou, a minha alegria acabou

Duda onde estas?

Conformo com a pobreza,

Mas não conformo com a falta de Duda
Mas um dia acabou
Volto a perguntar 

E hoje Lambosca

 

 Mario Loff

 

 

 

 

É possível ter voz sem falar? Então fale
é possível retomar as palavras interrompidas na ditadura?
Então ressuscite-as 
é possível falar com um nó atravessado na garganta. Esmaga-o
então
ressuscita as palavras dos mortos vítimas da usura e da ditadura
para completar o puzzle do discurso da vida
então canta esse discurso. de boca fechada

 

Mario Loff

Retirado

 

 

 

Já não sou convidado das grandes pândegas

Já não sou o grande clamador das grandes elocuções

Já não sou o motivo da tanta estupefação

 

Já sou o fermentador das citações

Sou aquele sazonado, considerado o ser anticientífico

Esmordaçado das trivialidades da vida vidinha

 

Agora sou mundial

Que voltou para o seu mundinho quase regional

Sou livro que não irá propagar, sou motivo de consulta

 

Sou assunto mais evitado desta vida

Sou a letra em desuso do léxico

Sou a frase que incomoda

Sou um caso serio de estudo

Sou sim …

Sou um poeta aposentado

 

Mario Loff

Um cheiro de coca ó Ina

 

 

Um cheiro com a promissão

De ser o ultimo cheiro

Tal, sempre é feita com tanta pressa

Não esses cheiros letais e gastrointestinais

É cheiro a coca

De focinho a cabeça

Se supera tudo até a independência

E cada vez mais se afunda na dependência

Razão não falta

Uns reclamam

Com a nebulosa matagal da vida

A armadilhada selva urbana aparenta-se

Como a verdadeira sina

Mas, outros são vítimas na Ina

assim, assim, pecam na dor

pega(dor) da coca e da Ina

 

 Mario Loff